Catupiry: A delícia do exagero

Postado em : 24/07/2015 13h13 Em:

No Floresta bar, uma das coxinhas tem “massa” de catupiry e recheio de camarão
No Floresta bar, uma das coxinhas tem “massa” de catupiry e recheio de camarão

Ao olhar o cardápio de um restaurante, lanchonete ou pizzaria, ver opções servidas com o tradicional “catupiry” já é comum entre os fortalezenses. Uma curiosidade que a maioria desconhece, porém, é que o nome representa, na verdade, o produto de uma marca mineira: a Laticínios Catupiry.

A história da empresa e desse requeijão cremoso começou pelas mãos do casal de imigrantes italianos Mário Silvestrini e Isaíra Silvestrini, em 1911, na estância hidromineral de Lambari, no estado de Minas Gerais. Em 1949, ele passou a ser produzido em São Paulo, onde se encontra-hoje sua matriz.

Inicialmente, o catupiry era consumido puro, com pães, torradas e sobremesa. Pelo baixo teor de acidez, logo passou a ser utilizado em inúmeros pratos de massas, carnes vermelhas, peixes e aves.
A popularidade fez com que seu nome – do tupi antigo katupyryb, que significa “muito bom”, “excelente” – fosse amplamente divulgado, virando sinônimo do produto em si (na verdade, é visto pelo consumidor como um “tipo específico” de requeijão cremoso).

Como todo ingrediente, há quem recuse, quem seja indiferente, quem goste e quem ame. Entre esses últimos, o exagero significa uma felicidade a mais na hora de comer – quer dizer, se existe pastel ou coxinha com catupiry, por que não um recheio só com ele? Sim, isso existe.

Salgados 

Claro, normalmente, ele é complemento, coadjuvante. Mas definitivamente não faz feio quando ganha o papel principal, especialmente no caso de opções com massa, que abriga bem a cremosidade do catupiry.

Um dos estabelecimentos que aposta nessa paixão é a Bibi Doces & Salgados, que oferece desde sua fundação, em 1985, o risole de catupiry. Feito basicamente com farinha de trigo, leite, ovos, margarina e o requeijão cremoso, o salgado é servido em tamanho grande (R$ 7,30) ou menor, em bandeja de 25 unidades (R$ 16), ou ainda em tamanho mini (R$ 64 o cento).

“É um salgado bastante procurado e muitos dos clientes compram para fazer lanches rápidos”, salienta Janaína Fernandes, gerente da sede do Cocó.

Outro lugar a ser incluído no roteiro dos amantes do ingrediente é o Floresta Bar, na Aldeota. Lá, uma coxinha crocante de catupiry carrega uma peculiaridade: a “massa” é constituída apenas de catupiry, empanada na farinha panko (feita de pão integral), com recheio de camarão. O petisco (R$ 15,90) já é servido na casa há dois anos.

Diferenças 

Já no bairro Cidade 2000, é o Don’Pisani Pizza e Esfiha que se destaca por servir uma esfiha só de catupiry. Em funcionamento há cinco anos, o estabelecimento administrado pelo paulista Roberto Vilas Boas oferece o salgado com massa feita com azeite.

A esfiha do Don’Pisani é servida por R$ 2,50 (unidade), e também adota a marca Catupiry. Segundo ele, que é formado em gastronomia pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Ceará (Senac), alguns requeijões cremosos disponíveis no mercado são misturados com gordura trans e amido de milho, e têm preço bem mais barato. “Enquanto uma bisnaga original custa R$ 39, outras saem por R$ 7 ou R$ 6”, afirma. Outra diferença apontada por Roberto é a consistência do produto. “O catupiry não derrete em alta temperatura, nem fica escuro”, salienta.

No Don’Pisani, a esfiha de catupiry é a preferida do público infantil, mesmo diante das outras 30 opções disponíveis. “A procura aqui é grande. Apesar dos adultos preferirem as misturas, as crianças adoram e fazem a festa”, finaliza o gestor.

 

Roberta Souza

Repórter

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