Exterior: uma cozinha de Brasil e Portugal

Postado em : 03/07/2015 9h09 Em:

sagu

Sagu ao Porto com creme de limões, uma das sobremesas do Aromas & Temperos.

Radicada em Lisboa, a chef cearense Juliana Adjafre comanda o Aromas & Temperos. A casa de clima intimista se destaca pela fusão de tradições lusitanas e brasileiras, em pratos doces e salgados que convidam a partilha à mesa

Dellano Rios
Especial para o Guia do Sabor

O espaço é pequeno – comporta 18 lugares à mesa –, mas Juliana Adjafre fez caber, no Aromas & Temperos, culturas alimentares de dois países. A chef cearense comanda a casa lusitana há dois meses e meio, combinando receitas com a cara de seu país natal e ingredientes típicos de Portugal. 

“Costumo dizer que são os aromas brasileiros com os temperos portugueses. As receitas são conhecidas dos brasileiros, mas sofrem alterações e troca dos ingredientes. Nosso pão de queijo, por exemplo, é feito com o queijo da Ilha deles. O resultado final é igual visualmente, mas bem diferente em sabor”, explica Juliana.

A proposta da casa surgiu em meio às pesquisas do mestrado em Ciências Gastronômicas, na Universidade de Lisboa. Professora de Gastronomia e consultora de bares e restaurantes em Fortaleza, Juliana mudou-se para a capital portuguesa, onde conheceu seu sócio – que se encantou com a ideia de misturar os sabores dos dois continentes. 

Descobertas

O Aromas & Temperos fica na zona de Arroios, próximo ao Largo da Estefânia, uma região central de Lisboa. Ali, a chef recebe o cliente todas as noites (exceto aos domingos). O simpático espaço tem sua carta anotada numa placa de ardósia. São 10 pratos e quatro sobremesas. Os nomes despertam a curiosidade dos clientes, que recebem importantes informações adicionais da equipe da casa.

Bolinhos de Feiju e Escondidinho de carne seca com purê de batata doce: diálogos culturais e gastronômicos à mesa 

Bolinhos de Feiju e Escondidinho de carne seca com purê de batata doce: diálogos culturais e gastronômicos à mesa

Importantes mesmo, pois nem tudo é o que parece no jogo de sabores que atravessa o Atlântico. “Um dos pratos que logo imaginei, dentro da proposta de combinar Brasil e Portugal, foi o pastel de bacalhau. Aqui, o que chamam de pastel de bacalhau é o nosso conhecido bolinho de bacalhau. Resolvi trazer o nosso para os portugueses”. No Meu Pastel de Bacalhau, Juliana usa a massa de pastel de feira brasileira, recheado com o bacalhau puxado no dendê e leite de coco.

Parecido, mas diferente

Em alguns casos, o turista brasileiro pode até achar que vai reencontrar os sabores daqui; mas, ao provar os pratos, percebe variações no gosto de ingredientes que, em tese, conhecemos bem. Por exemplo: o escondidinho de carne seca com purê de batata doce, à primeira vista, é igualzinho ao nosso: carne seca refogada na manteiga da terra com cebola roxa. A diferença está no purê de batata doce assada (que a chef sugere harmonizar com uma taça de vinho, da região do Alentejo).

“O português adora batata doce. Aqui eles consomem muito, e tem uma variedade, de Aljezur, bem típica. Quando encontro no mercado, também uso a batata doce roxa, com cor que parece a do açaí”, detalha. 

Regularmente, a chef modifica a carta do restaurante, acrescentando ou alterando pratos, para aproveitar os insumos de determinada época do ano. Foi assim que, nas festas dos santos (em junho), o restaurante serviu a sardinha (uma paixão nacional portuguesa) na tapioca – essa última, aliás, já entrou na carta. No Crocante da Ilha, é servida em cubos preparados com queijo da Ilha, a tradicional geleia de pera Rocha e suco de pimentas clementinas e malaguetas.

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O Bobozinho de camarão da casa. Chef aposta na mudança de ingredientes

Outra receita que equilibra bem as duas tradições é o Bolinho de Feiju. A feijoada é preparada com chouriço português; os bolinhos são empanados em broa de milho. Para acompanhar, ao invés do vinho de lá, a recomendação da chef é a caipirinha de cá.

O sagu – sobremesa típica do Sul do Brasil – é preparado com o vinho português e com um combinado de limões, amarelo e verde, da região. 

Encontros

Juliana comemora a combinação luso-brasileira. “Portugueses e brasileiros, ambos adoram a mistura”. Para dar liga à celebração transcontinental, a chef optou por pratos pequenos (e preços idem). “Resolvemos apostar no sistema de partilha, no qual cada prato serve duas pessoas e uma refeição é composta por 4 ou 5 variedades. Assim o cliente consegue saborear e apreciar um número maior de pratos e sair satisfeito com aquele ‘gostinho de quero mais’”, detalha. 

Serviço
Aromas & Temperos
Travessa Rebelo da Silva, 2 (Arroios), Lisboa. De segunda a sábado das 19h30 às 23h30. facebook.com/AromasTemperos

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