À mesa com Izakeline Ribeiro: Café especial

O bourbon amarelo encontra o terroir perfeito para se desenvolver em São Sebastião da Grama, a 300 km de São Paulo. Conheça o caminho da planta à xícara

Postado em : 06/07/2018 5h05 Em:

Café maduro em época de colheita na Fazenda Cachoeira da grama (SP)

Café maduro em época de colheita na Fazenda Cachoeira da grama (SP)

 

A convite a Nespresso Brasil, conhecemos a Fazenda Cachoeira da Grama, a 300 km da cidade de São Paulo, uma das principais fornecedoras de Bourbon Amarelo para a marca. O ponto de encontro foi na Boutique da Nespresso na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Depois de um breve café, que não poderia faltar, partimos em direção a São Sebastião da Grama, que faz divisa com Minas Gerais. É de lá que sai boa parte do Bourbon Amarelo, utilizado pela Nespresso em cápsulas, como Volluto e Dulsão do Brasil. Cristiano Carvalho Ottoni, sócio da Fazenda Cachoeira da Grama, faz parte da quinta geração da família trabalhando com café.

O terreiro para a secagem do café precisa ser de concreto para garantir a qualidade do grão

O terreiro para a secagem do café precisa ser de concreto para garantir a qualidade do grão

 

Cristiano foi um dos responsáveis por incluir a fazenda e a região no circuito de cafés especiais. “Nós já sabíamos que nosso café era bom, mas não tínhamos tradição de vender. Decidimos criar uma associação para começar o trabalho de marketing da região e em 1995 exportamos o primeiro container para o Japão”, conta Cristiano, que começou investindo no mercado e externo e agora já começa a apostar também no mercado interno. “Já há um interesse crescente do público brasileiro por cafés especiais, apesar de atrasado em relação a outros países”, completa ele, que fornece para a Nespresso desde 2006.

Guilherme Amado, gerente de café verde da Nespresso no Brasil, e Rhafael Martin, engenheiro agrônomo que atua diretamente na região de São Sebastião da Grama

Guilherme Amado, gerente de café verde da Nespresso no Brasil, e Rhafael Martin, engenheiro agrônomo que atua diretamente na região de São Sebastião da Grama

 

Além do bourbon amarelo, a fazenda Cachoeira da Grama produz outros tipos de café e, segundo Cristiano, se prepara para dobrar a área de plantação, passando de quase 70 hectares para 150 hectares. O produtor destaca que os maiores desafios para esse crescimento são melhorar a eficiência e mecanização. “Estamos trabalhando para saber o que plantar, qual planta rende melhor e formas de mecanização para baratear o custo sem perder a qualidade no processo”, adianta ele, que vende café para cerca de 40 clientes, entre importadores e torrefadores.

A Nespresso, uma das compradoras do café de Cachoeira da Grama, acaba colaborando com esse desenvolvimento, visto que as fazendas fornecedoras participam do programa Nespresso AAA Sustainable Quality TM. Lançado na região em 2009, agrônomos dão assessoria e apoio aos produtores, por meio de treinamentos, para garantir a produção do café baseada nos pilares da qualidade, produtividade e sustentabilidade. “O nosso objetivo é garantir que a produção do café se perpetue. Queremos que até 2020 todo nosso café seja 100% sustentável. Temos trabalhado com o alumínio por conseguirmos manter a qualidade do café, além de ser totalmente reciclável, e buscamos reduzir a pegada de carbono em todas as etapas da cadeia”, explica Cláudia Leite, Gerente de Cafés e Sustentabilidade da marca.

Cristiano Ottoni é sócio da fazenda Cachoeira da Grama, fornecedora de bourbon amarelo para a Nespresso

Cristiano Ottoni é sócio da fazenda Cachoeira da Grama, fornecedora de bourbon amarelo para a Nespresso

 

Na fazenda Cachoeira da Grama, o engenheiro agrônomo responsável é Rhafael Martin. Ele conta que, em cinco anos atuando na localidade, as áreas de nascentes foram recuperadas e estão sendo preservadas, plantas nativas foram replantadas, barreiras de proteção natural, como eucaliptos e outras plantas, foram estabelecidas. Dessa forma, ao manter o ecossistema da região, garante-se a sustentabilidade da produção de café.

Destaque também para o cuidado com os agricultores, além de incentivos para permanecerem no trabalho com o café. Em Cachoeira da Grama vivem 28 famílias, que se desenvolveram graças ao café. Cláudia Leite ressalta que o agricultor é peça fundamental na produção de café e ele precisa ter boas condições de trabalho e renda para que permaneça no campo e assim garanta a continuidade da produção. Aspecto que também é avaliado pela Nespresso no momento de escolher seus fornecedores. “Nós precisamos fortalecer a cadeia para que o negócio possa se sustentar”, completa Guilherme Amado, Gerente de Café Verde da Nespresso e responsável pela implementação do programa Nespresso AAA no Brasil.

Claudia Leite, gerente de cafés e sustentabilidade da Nespresso

Claudia Leite, gerente de cafés e sustentabilidade da Nespresso

 

DA PLANTA À XÍCARA
As cerejas de café – nomenclatura utilizada para o frutos quando colhidos – são doces quando maduras e é nesse momento que devem ser colhidas. Da colheita, os grãos passam por uma máquina de lavagem, que separa, de acordo com a densidade, os grãos maduros e verdes dos muito maduros, chamados de “bóias”.

Depois, os grãos maduros são descascados e depositados no pátio de concreto para secar ao sol, por um período que varia de 4 a 20 dias, ou até o grão atingir 11,5% de umidade. “É um momento importantíssimo. A temperatura da massa do café não pode passar de 35º. Caso isso aconteça já prejudica a qualidade. A secagem vai interferir diretamente no perfil sensorial do café”, comenta Guilherme.

Na sequência, são retirados os pergaminhos, uma fina casca que envolve a semente. Aqui encerra o processo do café no Brasil e o produto é enviado para a Suíça, sede da Nespresso, onde é torrado, moído e encapsulado.

Jornalistas convidados para vivenciar um dia em uma fazenda de café

Jornalistas convidados para vivenciar um dia em uma fazenda de café

 

Café no Brasil

– Maior produtor de cafés (Arábica e Robusta) e o segundo maior consumidor do mundo
– 32,71% do total da produção mundial
– 280 mil produtores de café
– 2.210.854 hectares de plantação de cafés

 

*A jornalista viajou a convite da Nespresso Brasil

 

 

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