À mesa com Izakeline Ribeiro: Paixão nacional

Qual a melhor cachaça do Brasil? Cachaça só serve para a caipirinha? Os especialistas respondem. Confira!

Postado em : 15/09/2017 5h05 Em:

Para começar, a melhor cachaça é a que cada um gosta. É o que afirma Altino Farias, engenheiro civil e sócio-gerente da Embaixada da Cachaça. Em funcionamento desde 2014, o estabelecimento começou como uma loja especializada em cachaças e hoje também atua no serviço da bebida e bons petiscos para acompanhar.

A qualidade da cachaça depende do seu processo de produção, desde o solo onde a cana de açúcar é plantada até o engarrafamento Foto: Rodrigo Carvalho

A qualidade da cachaça depende do seu processo de produção, desde o solo onde a cana de açúcar é plantada até o engarrafamento Foto: Rodrigo Carvalho

 

Apesar de a escolha pela cachaça ser algo pessoal, Altino explica que, de modo genérico, as cachaças de excelente qualidade são consequência de uma processo produtivo cuidadoso, e isso inclui o tipo de solo, variedade da cana-de-açúcar, corte e manuseio corretos, controle do índice de açúcar, fermentação ideal e processo de destilação separando rigorosamente as frações cabeça, coração e calda, salientando que somente a porção coração deve ser aproveitada, pois as demais, que correspondem cada uma a cerca de 10 ou 15% de todo o resultado da destilação, contêm componentes químicos que comprometem a qualidade final do produto.

Bons rótulos são produzidos em vários Estados, desde o Rio Grande do Sul até o Maranhão e, em breve, a Indiazinha, do Amazonas, será lançada no mercado dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade. Minas Gerais, porém, tem o maior número de produtores e cachaças conhecidas e admiradas pelo público.

Altino, Ana Maria e Gorette comandam a Embaixada da Cachaça , servindo rótulos especiais e petiscos variados Foto: Rodrigo Carvalho

Altino, Ana Maria e Gorette comandam a Embaixada da Cachaça , servindo rótulos especiais e petiscos variados Foto: Rodrigo Carvalho

 

Mesmo sendo uma bebida simples, a cachaça possui recursos sensoriais infinitos. Segundo Altino, o processo de produção e o envelhecimento são responsáveis por essa multiplicidade de sensações. No caso da cachaça branca, que descansa em tonéis de inox e não passa por envelhecimento em madeira, essa variação se dá pelo processo produtivo em si (tipo de solo, de cana, fermentação etc). No caso da cachaça que passa por armazenamento em madeira, há uma variedade de fatores que influenciam no produto final, como o tipo de madeira, o volume do tonel ou barril, o tempo de armazenamento, o tempo de uso do tonel ou barril etc.

As madeiras mais comuns utilizadas para armazenamento são: carvalho americano, carvalho francês, bálsamo, umburana, freijó, jatobá, ipê, jequitibá, amendoim-do-campo, castanheira e grápia. Dessas, o carvalho, o bálsamo, a umburana, a grápia e a castanheira são marcantes em termos de coloração, sabor e aroma. As demais são mais neutras, alterando bem menos as características originais da cachaça, porém, agindo de forma a tornar a bebida mais suave e delicada. Depois de tudo isso, ainda há a possibilidade dos blends, misturas de cachaças envelhecidas em madeiras diferentes, que dão origem a outro universo de sabores e aromas.

Em meio a tantas opções, fica difícil saber por onde começar. Para facilitar, Altino dá algumas sugestões. O primeiro passo é ler sobre o assunto para saber e entender o que é cachaça, como é produzida e o que se pode esperar dela. Na sequência, vale aprender como apreciar uma cachaça, aguçando as percepções sensoriais, para que tire maior prazer do ato de bebê-la. Também é importante sempre escolher cachaças devidamente registradas como garantia de consumir um produto tecnicamente aprovado e por fim, beber com moderação
é fundamental.

petisco da Embaixada da Cachaça

 

Embaixada da Cachaça
Altino conta que sempre gostou e sentiu prazer em beber cachaça. Como consumidor, nunca se preocupou com certos aspectos das cachaças que consumia. Ao se tornar empresário do setor, no entanto, decidiu buscar um pouco de conhecimento sobre a bebida para interagir melhor com o público e os fornecedores. “E depois que a gente passa a entender o porquê das coisas, se torna mais exigente, não é mesmo? Apesar não ser um expert, sei bem o que é uma boa cachaça”, conta ele, que comanda a Embaixada da Cachaça junto com a esposa, Gorette Almeida, e a filha, Ana Maria Farias.

“Hoje, embora nosso foco seja a cachaça em todos os seus aspectos, como parcerias com fornecedores, vendas, difusão de informações e divulgação de rótulos, nos dedicamos intensamente ao bar. Nossos petiscos são todos produção própria da casa, promovemos degustações de cachaças e eventos culturais com frequência, e estamos sempre abertos a novos projetos”, conta Altino, que também é membro titular da Academia Brasileira da Cachaça de Alambique.

shots de cachaça

Atualmente, a Embaixada conta com cerca de 340 opções nas prateleiras, das quais 40 rótulos são servidos gelados em doses no bar. As cachaças são escolhidas com critério, levando em conta sempre a qualidade. “Aqui na Embaixada temos um bom time de cachaças especiais, como a Cenário, do Rio Grande do Sul, a Companheira Extra Premium, do Paraná, e a Anísio Santiago, de Minas Gerais, por exemplo, com preços entre R$ 350 e R$ 800. Mas há no mercado produtos com preços bem superiores e embalagens luxuosíssimas”, ressalta.

Para acompanhar as cachaças, os petiscos da Embaixada custam entre R$ 18,00 e R$ 25,00. Para os petiscos de sabor mais marcante, como panelada, moela, feijoada e costela suína, Altino recomenda cachaças mais envelhecidas e aromáticas. Já os petiscos mais leves, como camarão empanado, bolinho de bacalhau e isca de frango, por exemplo, admitem cachaças mais leves e de baixa acidez, de forma a não alterar o sabor do prato.

petisco da Embaixada da cachaça

Além da caipirinha
O mixologista Bento Matos, da empresa Coktelitas, prova que a cachaça pode ir além das tradicionais caipirinhas quando se fala em preparação de drinques. Nada contra a amada caipirinha, mas não custa abrir o paladar para novas experiências. Desta forma, Bento sugere o Rabo de Galo, um drinque clássico, que está entre os mais pedidos nos botecos.

Bento Matos ensina novas formas de apreciar cachaças, além da caipirinha Foto: Rodrigo Carvalho

Bento Matos ensina novas formas de apreciar cachaças, além da caipirinha Foto: Rodrigo Carvalho

Antigamente, beber cachaça pura não era comum, então a maioria pedia uma dose de cachaça e adicionava um pouco de vermute tinto. A combinação acabou deixando de ser apenas uma maneira mais fácil de beber cachaça para se tornar um drink conhecido no mundo todo. O Lampião já combina a cachaça com limão, abacaxi e melaço. E o Ritual 150 é uma sugestão do mixologista para apreciar cachaça envelhecida. “São três drinks que valorizam os nossos produtos brasileiros, na história, na harmonização e na diversidade de combinações com frutas”, diz.

Bento ressalta ainda que apesar de muita gente ainda ter preconceito, a cachaça é um destilado que combina com tudo. “Nossa cachaça é uma das bebidas mais consumidas do mundo, e combina muito com nossas comidas típicas, charutos para quem gosta de boas harmonizações e com festas, além do seu ótimo custo-benefício”, destaca, lembrando que a caipirinha não pode faltar em
nenhum evento.

 

AGUARDENTE… é gênero, são bebidas fortes, obtidas com a destilação de vegetais doces.

CACHAÇA… é espécie, pois, conforme A legislação que regulamenta sua produção, a bebida é o resultado do “destilado do mosto fermentado da cana-de-açúcar, com graduação alcoólica entre 38GL e 48GL, com índice máximo de 6% de açúcar”. Ou seja, CACHAÇA só de cana-de-açúcar e dentro desses padrões. Qualquer variável fora do que estabelece a lei leva a bebida para a qualificação genérica de AGUARDENTE, seja obtida da cana de açúcar ou outros vegetais. Note bem que a cachaça não tem aditivos, conservantes nem ingredientes que compõem uma “receita”.

 

Serviço
Embaixada da Cachaça
Rua João Brígido, 1245 – Joaquim Távora.
Funciona de segunda a sábado, sendo segunda, das 10h30 às 23h; terça e quarta, das 10h às 23h; quinta e sexta, das 10h à 0h; sábado, das 10h30 às 19h. (85) 3085-0428.

Coktelitas
Rua Osvaldo Cruz, 2330 – Dionísio Torres. Telefone: (85) 3272-0056.

 

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