À mesa com Izakeline Ribeiro: Por trás da xícara

Produtores de café no Sul de Minas superam desafios, apostam na sustentabilidade e reafirmam o café brasileiro com um dos melhores do mundo

Postado em : 16/06/2017 5h05 Em:

José Antônio Pereira é a quarta geração da família produzindo café na Fazenda Serrado, em Carmo de Minas. Do total de 59 hectares da propriedade, 34 são dedicados ao cultivo do café de diferentes tipos. No entanto, o grande ouro da fazenda é o café Arábica Bourbon Amarelo, que encontra na localidade condições para crescer e apresentar o seu melhor grão. Com simplicidade e muito conhecimento prático da batalha diária que é a agricultura, José chega a colher uma média de 24 sacas (1 saca – 60kg) de Bourbon Amarelo por hectare, café de total interesse da Nespresso. “Para nós, essa parceria com a Nespresso representa o reconhecimento do nosso trabalho e a gente se sente muito bem. Isso aqui é a nossa vida, dependemos do café para o nosso sustento e graças a ele, meus filhos estudam, estão se formando. É um trabalho que precisa ser remunerado, mas tem também o lado emocional. A gente vive a cultura do café”, afirma José, que conta com uma fonte de água protegida e cercada dentro da fazenda.

José Antônio Pereira comanda a Fazenda Serrado em Carmo de Minas Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

José Antônio Pereira comanda a Fazenda Serrado em Carmo de Minas Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

 

Para garantir a qualidade da água e, consequentemente do café, o beneficiamento foi reformado. Além do cuidado com a água, José usa adubo orgânico, criado dentro da própria fazenda, para ajudar na manutenção do solo com suprimento de macronutrientes. “Aqui é uma das regiões mais difíceis para a produção de café. Mas, é exatamente essa especificidade que faz o café daqui ser tão especial”, ressalta o produtor.

Parte das orientações foram passadas pela equipe de agrônomos da Nespresso, que presta consultoria gratuita para produtores que já fornecem ou têm potencial de fornecer para a empresa. José e sua fazenda Serrado participam do programa AAA desde 2011. “Nós aprendemos muito com eles. A exigência é alta, porém nos direciona para fazer tudo certo e produzir um ótimo café”, diz.

Antes, José conta que tinha uma produção bem maior, mas a qualidade era inferior. “A gente não sabia nem para onde o café ia. Agora, temos que observar a qualidade desde a planta até o beneficiamento para conseguir uma boa venda, já que a Nespresso paga melhor que outros compradores”, comenta o incansável José, que está na fazenda de domingo a domingo, ainda mais agora, no período de colheita, que começa neste mês e segue até setembro.

Francisco Isidro conquistou o Cup of Excellence em 2005 com a maior nota já atingida por um café brasileiro Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

Francisco Isidro conquistou o Cup of Excellence em 2005 com a maior nota já atingida por um café brasileiro Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

 

Quem também está com os trabalhos a todo vapor é o produtor Francisco Isidro Dias Pereira, que comanda a fazenda Sertão. Uma das maiores propriedades da região (851 hectares – 246 somente de café), a fazenda é cercada por corredores naturais, nascentes de água, rios e cachoeiras. A família de Francisco Isidro tem uma tradição de 100 anos no negócio do café e conserva e compartilha essa história, sendo um dos pontos de visitas da Rota do Café Especial.

A casa principal da propriedade virou um minimuseu, onde é possível ter uma ideia de como viviam os agricultores de outras gerações. A história do café no Brasil, títulos e premiações da fazenda também estão espalhadas pelo lugar. Destaque especial e de muito orgulho para o sr. Francisco foi ter recebido, em 2005, o prêmio Cup of Excellence, competição que julga a qualidade do café, com a maior pontuação da história até hoje. O lote foi negociado pelo valor recorde de US$ 6.580,81 a saca de 60 quilos, o que equivale a aproximadamente R$ 14.872,90. “Um dia acordei sendo o produtor do melhor café do mundo”, disse o produtor, que conta com 200 famílias de agricultores fixas para a produção do café, número que ganha um reforço na época da colheita.

O produtor Luiz Paulo, da Fazenda IP, está trabalhando em um novo processo de pós-colheita Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

O produtor Luiz Paulo, da Fazenda IP, está trabalhando em um novo processo de pós-colheita Foto: Ricardo Levenhagen/divulgação

 

Quem está ansioso pelo resultado da colheita de 2017 é o produtor Luiz Paulo Pereira, da Fazenda IP, que já ficou entre os finalistas do Cup of Excellence. Na Fazenda IP, todas as atividades são planejadas de acordo com o plano geográfico e a gestão agrícola é feita por uma comissão de oito pessoas de duas gerações de agricultores. Desde 2002, vem fazendo melhorias nos processos de pós-colheita. Neste ano, ele está testando uma nova forma de trabalhar a pós-colheita com o objetivo de extrair ainda mais qualidade dos grãos.

Segundo Luiz Paulo, já é um trabalho feito nas regiões produtoras de café da América Central e consiste em deixar o grão passar por uma breve fermentação antes de secar. “Nós estivemos na Costa Rica para conhecer o método e vimos que ele poderia ser aplicado ao nosso café também. Esse é o primeiro ano que estamos testando e nossas expectativas são altas”, comentou Luiz Paulo, que comanda a propriedade de 700 hectares, sendo 146 deles dedicados ao café.
 

CarmoCoffee
Os produtores não têm nenhum contrato direto com a Nespresso. Desta forma, a empresa CarmoCoffee é responsável pela coleta, análise dos grãos, compra e venda. O trader conta com uma estrutura de degustadores e classificadores de cafés, que avaliam o produto e definem se ele está no perfil exigido pelos compradores.

pé de café
TIPOS DE CAFÉ
Arábica (Coffea arabica): é uma variedade cultivada em altitudes elevadas. É mais adocicado, suave e apresenta mais acidez. Além do Bourbon amarelo, em Carmo de Minas são produzidos outros tipos de arábica, como o Bourbon Vermelho, mundo novo, catuaí vermelho e amarelo, acaiá e icatu.

Robusta ou conilon (Coffea canephora): variedade cultivada em planícies. É mais intensa, amarga, encorpada e tem teor de cafeína mais alto. Mais de 60% da produção brasileira vem do Espírito Santo.

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