À mesa com Izakeline Ribeiro: Tendências gastronômicas

Alimentos menos processados, experiências exclusivas e a gastronomia como ferramenta de transformação social foram temas do Food Forum, realizado em São Paulo, na última terça-feira

Postado em : 17/03/2017 5h05 Em:

Comida é um assunto sem fim e que nós amamos. Discutir, conhecer novas apostas e ideias para o setor é algo que nos move em busca de entender melhor esse universo tão complexo. Por isso, compramos as passagens e garantimos um lugar na primeira edição do Food Forum, evento realizado na última terça-feira, na Casa Fasano, em São Paulo. Das 14h às 21h, uma série de palestras apresentou histórias inspiradoras, cases de sucesso e plantou várias sementes em um público formado por profissionais da área em diferentes segmentos. Além de mim, Fortaleza marcou presença com Cecilia Seligman (sócia-proprietária do L’Ô Restaurante) e Joana Ramalho (Diretora de Marketing do Mercadinhos São Luiz).

Charles Piriou, organizador do Food Forum, abriu o evento, falando sobre as mudanças no setor da alimentação, como a conscientização da indústria e do próprio consumidor, que está buscando mais informações sobre alimentação. “Quem trabalha com comida tem um papel fundamental nesse momento de transformações”, ressaltou.

Food Forum mesa redonda

Mesa redonda sobre formação acadêmica encerrou o Food Forum com rodada de drinques. Fotos: Izakeline Ribeiro

 

Na sequência o empresário Rogério Fasano, CEO do Grupo Fasano, e as chefs Carla Pernambuco e Danielle Dahoui destacaram as dificuldades de empreender no setor de gastronomia. Para Rogério, permanecer neste mercado exige renovação constante, busca por atualizações, mas sem exageros. Seguir modismos não é um bom caminho, mas servir a comida que se gosta de comer é fundamental para o sucesso de qualquer casa, segundo o empresário.

Carla destacou o quanto a crise econômica tem sido complicada, mas acredita que, em breve, novos ventos vão soprar no Brasil. Danielle completou que as dificuldades abrem uma janela de oportunidades, e é preciso saber aproveitar. “A crise faz com que a gente saia da nossa zona de conforto. Vamos seguir em frente porque quero abrir novas casas”, afirmou Danielle.

O movimento “Clean Label”, que busca alimentos menos processados, foi destaque nas falas de Enrico Leta, fundador e CEO da Yorgus, e Felipe Carvalho, fundador e CEO da A tal da Castanha. Tanto que os produtos das duas marcas utilizam ingredientes naturais, orgânicos, sem adoçantes ou açúcar adicionados. “É um movimento irreversível. As grandes indústrias estão se movimentando em duas direções: limpar os rótulos de seus produtos ou comprar empresas menores que têm essa proposta de ingredientes simples e naturais”, afirmou Enrico.

Já a jornalista Ailin Aleixo foi categórica ao afirmar que a comida do futuro está sendo determinada hoje, nas nossas escolhas alimentares do presente. A agricultura com o uso de pesticidas, a pesca, a produção de aves e a pecuária têm trazido muitos danos ao meio ambiente. “Existe uma maneira de fazer esse cenário da alimentação mundial, para mim, aterrador, dar uma parada. O mais assustador é que esta solução não está nas mãos das grandes empresas, do Estado, mas, está na nossa mão, quando a gente segura um garfo e uma faca e escolhe o que vai comer. É uma solução global, mas ela tem uma construção individual. A solução é diminuir o consumo de alimentos derivados de animais o quanto antes, o máximo possível”, diz Ailin, reforçando que a agropecuária é a maior poluidora do planeta.

“Não dá mais para viver nessa esbórnia de carne, leite, ovo e derivados por dois motivos: não há planeta para isso e faz mal para nossa saúde”, diz.
Para a jornalista, a comida do futuro deverá ser baseada em plantas, e não em carne. Isso não quer dizer que todo mundo deve virar vegetariano. “Eu não sou vegetariana, mas meu consumo de derivado animal caiu, quando passei a ter consciência do processo inteiro que isso envolve. Minha alimentação ficou mais rica, porque passei a incluir uma variedade de vegetais. Reaprendi a ser cozinheira”, contou, ressaltando que, ao consumirmos produtos de origem animal, é preciso pensar em quantidades menores e qualidade maior.

EXPERIÊNCIAS EXCLUSIVAS
A chef Carla Pernambuco é uma das principais referências na gastronomia brasileira e traz na bagagem uma longa trajetória no setor, abrindo restaurantes e apresentando programas de TV. Ela contou que, em duas décadas por trás de restaurantes, como o Carlota, percebeu o desenvolvimento e sofisticação do mercado. “A gente tem excelentes produtos e vejo que as coisas podem melhorar, ao incorporarmos saúde à mesa. Eu já vi as pessoas comerem diferente e se comportarem de outra forma. Agora, chegou o momento de mais uma renovação”, conta a chef, que se prepara para oferecer um serviço mais personalizado. A ideia é oferecer experiências exclusivas para cada grupo de clientes no pequeno estúdio montado em frente ao Carlota, em São Paulo.

chef Carla Pernambuco

Carla Pernambuco, chef de cozinha e fundadora do Carlota

 

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Além de discutir sobre gastronomia, a jornalista Alexandra Forbes destaca a importância de agir. Ela e o Diretor do projeto Gastromotiva criaram o Reffetorio Gastromotiva para aproveitar os alimentos rejeitados durante as Olimpíadas, realizada no Rio de Janeiro, em refeições para moradores de rua.

O projeto contou com o apoio do chef Massimo Botura, do premiado restaurante italiano Osteria Francescana, idealizador do projeto realizado em Roma que inspirou a brasileira. Alexandra destacou o desperdício de alimentos como sua maior preocupação e externou seu desejo que outras iniciativas surjam no Brasil. “Chega de falar. Temos que agir”.

Alexandra Forbes, jornalista e cofundadora do Reffetorio Gastromotiva

Alexandra Forbes, jornalista e cofundadora do Reffetorio Gastromotiva


RÓTULO LIMPO

Felipe Carvalho é cearense e depois de nove anos atuando no mercado de tecnologia, em São Paulo, atendeu ao chamado da família, que possui uma empresa de amêndoas, para desenvolver uma nova linha de produtos. Depois de muitas pesquisas e estudos, surgiu a bebida vegetal “A tal da castanha”, uma espécie de leite vegetal à base de castanhas e água. “Desde o início, nossa ideia sempre foi chegar a um produto simples, com o mínimo de ingredientes possível”, contou. Lançada em janeiro de 2015, a marca encerrou 2016 com mais de 1.300 pontos de vendas em diferentes regiões do Brasil. E, neste ano, a empresa inicia as exportações para os Estados Unidos, onde uma grande rede vai distribuir para 489 lojas na Califórnia.

Felipe Carvalho, fundador e CEO da A tal da Castanha

Felipe Carvalho, fundador e CEO da A tal da Castanha

 

RESPEITO À EQUIPE
Apesar da gastronomia ser responsável pela geração de 30% dos empregos no País, Danielle Dahoui ressaltou que ainda é muito difícil empreender no setor. Porém, isso não impediu a chef, que traz 20 anos no comando de cozinhas no currículo. Danielle contou que seu sonho era ter um restaurante, no qual todas os profissionais fossem valorizados. “Temos um papel fundamental, porque somos capazes de transformar a vida das pessoas que trabalham no nosso negócio. Antes de ser empreendedora, sou compartilhadora. Minha equipe precisa estar bem para servir bem ao cliente. Não tem cliente feliz, sem equipe feliz”, disse.

Danielle Dahoui, empresária, chef e fundadora do Ruella Bistrô

Danielle Dahoui, empresária, chef e fundadora do Ruella Bistrô


Izakeline Ribeiro

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