Na cozinha com Leo Gondim: A cozinha nordestina em alta

Janeiro, mês de férias. Uma das coisas que mais “combinam” com este período é uma boa gastronomia regional. Fui conhecer o Maria Chica, um restaurante de cozinha regional e fiquei encantado

Postado em : 05/01/2018 5h05 Em:

Glícia Maria comanda o Maria Chica, que fica no bairro Parangaba Fotos: LC Moreira

Glícia Maria comanda o Maria Chica, que fica no bairro Parangaba Fotos: LC Moreira

Chegamos ao Maria Chica e logo reparamos que se tratava de um lugar bem especial, um restaurante diferente dos demais que eu conhecia. Um espaço de alimentação diferenciado e cheio de sutilezas, que só os amantes de uma boa cozinha identificam.

Fomos recebidos por Glícia Maria, uma paraibana, nascida em Catolé do Rocha, proprietária e chef responsável pelo restaurante Maria Chica. Glícia foi logo me contando: “Tudo começou com a criação da paçoca com banana. Foi até engraçado o processo de preparação”, recorda. “Tinha pouco dinheiro e lembro que sobrou uma carne assada, cozida na panela de pressão com água, até ficar bem amolecida. Levei para o pilão e ela rendeu. Coloquei a cebola e a farinha, soquei até tudo se misturar, aí pensei: ainda está pouco, vou colocar banana pra ver se rende mais. Menino, pois num é que ficou grande!”, conta. A quantidade de paçoca dobrou de volume e assim ficou um sabor doce com salgado, preparação que até hoje faz o maior sucesso entre os pratos do Maria Chica.

restaurante Maria Chica

O restaurante possui um ambiente com pegada bem regional para combinar com as quantidades e tipos de pratos oferecidos pelo estabelecimento. “Toda a decoração foi feita por mim. Para onde eu vou, arrumo cacareco. Quando meu marido viaja, traz rádio, máquina de costura, telefones antigos, aí eu vou decorando e enfeitando do meu gosto”, diz Glícia Maria.

Os melhores sabores do sertão têm lugar certo no restaurante Maria Chica.

O restaurante tem uma bodega, que vende aquela cachacinha, uma deliciosa cajuína, alguns doces e ainda serve como cenário para aquelas selfies com os amigos, utilizando acessórios, como os adereços da decoração do ambiente, chapéu de couro, espingarda, chibanca, dentre outros. Para eventos e reuniões, o restaurante possui um ambiente climatizado e também decorado pela chef Glícia Maria que, com toda a sua criatividade, tornou o espaço superior e bem simpático para aqueles que podem desfrutá-lo.

O restaurante era um sonho. Na verdade, o regionalismo era a cara de Glícia Maria e foi realmente o que ela viveu na sua infância. “Comíamos mungunzá com feijão cozido no fogão a lenha, prato que se chamava Chico Doido, colocamos uma natinha também, a gordura e sabor era a nata. Esse prato era maravilhoso, a melhor comida do mundo que marcou a minha vida e eu sabia que um dia ia ter um restaurante nesse estilo”, relata a chef.

Os melhores sabores do sertão têm lugar certo no restaurante Maria Chica.

Os melhores sabores do sertão têm lugar certo no restaurante Maria Chica.

 

A cozinha tem influência do Rio Grande do Norte, Paraíba e do Ceará, mas a maioria dos pratos são cearenses, como o baião de dois e a panelada. A avó de Glícia Maria, Maria Alves, marcou muito a história da sua cozinha. Ela morava em Alexandria, Rio Grande do Norte, e foi inspirada no mungunzá que a matriarca fazia, nos capotes que eram de criação própria, na farofa de ovo e no feijão com tripa, que os pratos foram sendo desenvolvidos. Sem condições para comprar carne, a infância da chef foi comendo tripa. Seu prato preferido era tripa torrada com arroz de leite, que hoje está entre as delícias do Maria Chica.

prato do restaurante Maria Chica

A brigada de cozinha é composta por dois cozinheiros, três auxiliares e uma saladeira. “Aqui no restaurante temos panelada de boi e de carneiro. A dificuldade de fazer a buchada é grande, é dificultoso e trabalhoso, mas é um prato muito procurado no sábado: vendo de cem a cento e cinquenta buchadas, porque são pequenas e delicadas, o que facilita e agrada ainda mais o público”, explica. Porém, com toda essa dificuldade, ela falou “vamos dar uma incrementada e fazer uma panelada de carneiro para que o trabalho seja menos, mas não chega nem nos calcanhar, é maravilhosa, mas o pessoal prefere o buchinho, coloco os mocotós do bicho tudo cerradinho, fica delicioso”.

prato do restaurante Maria Chica

O restaurante possui ainda uma imensa e variada mesa de sobremesas, todas preparadas no local, tudo caseiro. Entre as sobremesas se destacam a cocada na quenga de coco, doce de mamão com coco, doce de banana com canela, doce de espécie de gergelim, chouriço feito com sangue de porco e outras delícias, como os pudins e tortas.

A comida mais regional, que é a cara do cearense, é o baião de dois com carne do sol, acompanhado da farofa de toucinho, e nem o cearense, nem o turista quando vai no Maria Chica deixa de provar.

prato do restaurante Maria Chica

Durante nossa conversa, a chef Glícia Maria nos esclareceu que, no início, abria o restaurante à noite, mas como a hora do almoço cresceu, optou pelo dia. “Aqui, fazemos todas as nossas produções, desde os petiscos, como os bolinhos de macaxeira com queijo coalho, os de batata doce com carne do sol, os pastelzinho de carne do sol, até a própria carne do sol, onde coloco pouco sal para não precisar dessalgar”, afirma. O restaurante, conta com um forno combinado, onde são preparados a tripa e o torresmo, tudo com pouca gordura, então pode comer a vontade, pois não tem o ranço da fritura.

prato do restaurante Maria Chica

Eu me emociono quando digo que o cearense valoriza a comida regional, porque ele é nato, ele ama esse tipo de comida, sua própria cozinha, valoriza sua terra e sua gente. O restaurante tem todos os pratos que nosso povo e o turista gostam, além, claro, de outros pratos diferentes que não são cearenses, mas são a base da cozinha nordestina.

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A origem do nome Maria Chica vem do nome da chef, Glicia Maria, de suas duas avós que são Maria, além de sua filha, que também é Maria, e de sua mãe, Francisca, que no Interior se chama Chica; daí uniu-se o dois nomes. Com o restaurante tendo um nome pequeno e sugestivo, ficou fácil das pessoas encontrarem e, como diz a chef Glícia Maria, “o nome Maria é abençoado, né? Porque é o nome da mãe de Jesus”.

Muito abençoado mesmo. O restaurante lota diariamente e, aos sábados, tem a sua maior frequência e número de pratos, mais de noventa, tudo uma delícia.

farofa do restaurante Maria Chica

Eu não conhecia e fiquei, de verdade, encantado e sugiro aos nossos leitores uma visita ao local, onde se come bem, com preço justo e com um ambiente muito prazeroso. Eu indico! Bom apetite, e viva a cozinha tradicional nordestina!

prato do restaurante Maria Chica

Serviço
Restaurante Maria Chica
Rua Thomas Edson 239 – Parangaba (Próximo à UECE).
Telefone: (85) 3292.5646

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