Opinião: As enólogas

Postado em : 09/03/2018 5h05 Em:

Março é o mês da Mulher e no dia escolhido para comemorar, nada mais justo que, entre as muitas e merecidas homenagens, encaixemos a homenagem do vinho, afinal o vinho é uma paixão que está acima dos gêneros, no consumo e na enologia também. Temos enólogas atuantes no mundo todo. Eu mesmo conheço várias no Chile, na Argentina, na França, na Itália, em Portugal e no Brasil.

Monica é destaque entre as enólogas brasileiras, atuando no Brasil e no exterior. Foto: Divulgação

Monica é destaque entre as enólogas brasileiras, atuando no Brasil e no exterior. Foto: Divulgação

 

Monica Rossetti é de origem italiana, mas nasceu na Serra Gaúcha. Esta jovem enóloga inovou anos atrás quando, na conclusão do curso de enologia, apresentou uma ideia naqueles tempos inovadora: a vinificação separada por parcelas dentro de um mesmo vinhedo. Isso foi suficiente para gerar uma sinergia com a visão enológica da Lídio Carraro, vinícola recém-lançada pelo então jovem Juliano Carraro. O ponto em comum entre eles era o conceito purista aplicado ao vinho, algo que envolve uma gestão vitícola baseada na sustentabilidade, com o mínimo uso de intervenção no vinhedo e nenhum uso de madeira para afinar o vinho, de forma a preservar as características territoriais da uva e, consequentemente, do vinho.

Monica não atua apenas no Brasil. Ela integra o time campeão da Cantine Ferrari de Trento, na Itália, o mesmo conceito purista esboçado em seu projeto de faculdade que encantou os produtores italianos. Daí veio o convite para atuar como consultora junto ao time de enólogos que preparam alguns dos espumantes mais caros e premiados do mundo. Um verdadeiro soco na cara do preconceito que ainda permeia o
vinho brasileiro.

Donatella comanda uma vinícola na Itália, onde todos os funcionários são rigorosamente mulheres. Foto: Divulgação

Donatella comanda uma vinícola na Itália, onde todos os funcionários são rigorosamente mulheres. Foto: Divulgação

 

Já Donatella Cinelli Colombini descende de antiga família de produtores tradicional de Siena, na Toscana. No fim da década de 90, partindo de duas propriedades quase abandonadas pela família, começa seu percurso de produtora de Brunello di Montalcino. Na Fattoria del Colle e no Casato Prime Donne, ela elabora alguns dos melhores vinhos da denominação.

Admirada pelo fato de que as mulheres enólogas não eram muito valorizadas na Itália na década de 90, Donatella resolve chutar o balde, assume uma enóloga e, a partir de então e até hoje, todos os funcionários do Casato Prime Donne, em Montalcino, são rigorosamente mulheres. Nasce ali o primeiro grande vinho tinto de guarda italiano produzido exclusivamente por mulheres, o Brunello di Montalcino Prime Donne e, poucos anos depois, Donatella lançou o Prêmio Casato Prime Donne, uma competição anual internacional jornalístico-fotográfica, que homenageia uma figura feminina que tenha se destacado no apoio à causa das mulheres
mundo afora.

Esses citados hoje são apenas dois casos, emblemáticos certamente, em que mulheres se destacam no mundo da enologia, mas muitas outras estão em evidência e dedicam sua vida à divulgação da cultura do vinho. A elas dedico o meu brinde nesse dia de comemoração. Tim-Tim!

Por Marco Ferrari
Sommelier profissional FISAR, especialista e docente em enografia e cultura enológica italiana pela IWTO. Atua como consultor de vinho em distribuidoras, importadoras, lojas especializadas e restaurantes de Fortaleza.

marco ferrari

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